Garoto nota 10

Com voz suave e olhos brilhantes, Mateus Alves Leite, 19 anos, é paciente do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). Diagnosticado com câncer aos cinco anos de idade, o jovem passou por radioterapia e quimioterapia durante a infância – segundo seu pai, sem perder a força nem a animação. Hoje, ele cursa o Ensino Médio, se diverte e já pensa em sua futura profissão.

“Vim do Hospital de Apoio para cá, sou atendido na hematologia e odontologia. Gosto de ir à academia, de jogar bola – jogo como meia, na zaga, tudo misturado – e de jogar videogame, também. Quando não estou estudando, também gosto de passear, ir ao shopping, sair para festas e ouvir música: sertanejo, funk, rap, axé.

Estudo no segundo ano do Ensino Médio. No futuro, quero arrumar um emprego, fazer uma faculdade e virar engenheiro. São muitas áreas na engenharia, ainda não sei qual quero seguir. Sou um garoto nota 10, não tenho palavras para explicar.

Quando eu tinha 18 anos, decidi fazer uma tatuagem; gostei, agora viciei. A primeira foi o nome da minha mãe, Francineide, no braço. Já tenho 10. Dói para fazer, mas depois vicia e você quer fazer toda hora. Eu falo que vou parar, mas sempre estou tatuando – só que não quero ficar igual a esses caras que ficam todos tatuados, não. Doeu mais para tatuar a mão e a costela. Tenho tatuagens na mão, nas costelas, no braço, no músculo e no peito e a perna é completamente tatuada, com um samurai e uma gueixa. Levou uns dois meses para fechar”.

 

Texto e foto: Maria Clara Oliveira
Edição: Carlos Wilson
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke