É fundamental a sociedade se envolver

24/11/2015

De 1991 a 2007, o médico Jair Evangelista da Rocha foi chefe da Unidade de Pediatria do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Nesse período, os pais dos pacientes diagnosticados com câncer que eram atendidos no hospital se organizaram, dando origem à Associação Brasileira de Pais de Crianças e Adolescentes Portadores de Câncer e Hemopatias (Abrace). Por estar à frente da Unidade, Rocha se envolveu na criação do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) e, hoje, faz parte do Conselho Gestor do HCB.

HCB: Para você, o que o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) significa na história da Pediatria no Distrito Federal?

Jair da Rocha: Eu acho que este hospital será o coroamento de um grande projeto que se iniciou, há mais de 50 anos, na Unidade de Pediatria do Hospital de Base. Dr. Moren veio para cá para criar a Unidade de Pediatria e, durante 30 anos, exerceu a chefia dessa unidade. Ao longo desse período, ele formou um espírito de equipe de trabalho, idealizou as subespecialidades pediátricas. Lutou-se muito para que um hospital de criança fosse construído e atendesse crianças portadoras de doenças terciárias. Ele foi viabilizado por meio da Abrace, que é uma instituição que foi criada dentro da Unidade de Pediatria: a associação foi criada pelos pais de crianças portadoras de câncer que eram tratadas lá na nossa unidade, no sétimo andar do Hospital de Base. A Abrace se agigantou e envolveu a sociedade, que construiu o Hospital da Criança de Brasília. Desse modo, o HCB é o coroamento desse projeto que iniciou quando começou a Unidade de Pediatria do Hospital de Base, em 1960.

HCB: Você acha que falta algo para consolidar esse serviço, tanto para crianças quanto para adolescentes, no Distrito Federal?

Jair da Rocha: Eu acho que não há muito a acrescentar nesse projeto do Hospital da Criança de Brasília, a não ser o aperfeiçoamento natural que ele vem sofrendo. Todo processo de implantação está sujeito a pequenos desvios ou equívocos e isso vai sendo corrigido ao longo do tempo. Não precisa mudar muito, apenas aperfeiçoar o que já existe.

HCB: O que você espera para o futuro da pediatria no Distrito Federal, seja em outros hospitais, seja no HCB?

Jair da Rocha: Eu participei da elaboração desse projeto. Eu estou há 48 anos em Brasília; durante 40 anos, eu fiquei no Hospital de Base. Fiz residência, exerci a chefia da Unidade por 16 anos e participei da elaboração desse projeto, e hoje estou no Conselho de Administração daqui, dando uma pequena contribuição daquilo que eu acho que ainda posso fazer para engrandecer a pediatria. Acho que se esse hospital desenvolver tudo aquilo para que foi idealizado, será um modelo para o país.

HCB: Você comentou sobre a Abrace, que foi construída a partir dos pais dos pacientes. Como você acha que essa relação dos pais pode contribuir para a pediatria?

Jair da Rocha: Pode contribuir muito, é fundamental a sociedade se envolver. Um dos erros que existem na assistência médica pública é a falta de envolvimento da sociedade. A sociedade, a determinada altura dos anos de Brasília, partiu para a iniciativa privada; quem tem muito dinheiro vai para São Paulo, vai para os Estados Unidos. Quem tem menos dinheiro fica na saúde pública, essa pseudoassistência que os programas, os planos de saúde oferecem e que fica muito aquém do desejado. Isso tudo está errado. Eu acho que é preciso envolver a sociedade, para que ela zele por aquilo de que ela precisa. Para que ela participe da gestão, participe da fiscalização e dos processos de teorias, de aperfeiçoamento. A sociedade é fundamental.

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Leia no arquivo abaixo o discurso que Jair da Rocha proferiu durante a abertura da Primeira Jornada de Educação e Pesquisa em Pediatria.

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Texto e foto: Augusto Almeida
Edição: Carlos Wilson 
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke