"De onde essa mulher tirou tanta força?"

09/03/2016

Elaine Alves de Oliveira chegou a uma etapa da vida em que queria se sentir mais útil para outras pessoas. Após anos como dona de casa, ela decidiu procurar um trabalho voluntário. Logo de cara, Elaine veio parar no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), mas não teve problemas para se adaptar ao Hospital. Hoje, depois de dois anos e meio, ela se sente em casa.

O trabalho como voluntária fez com que Elaine “ganhasse” uma nova família. Ou várias famílias. “Você passa a fazer parte da história deles também. Você enriquece. Tem famílias que são mais próximas, carismáticas, que nos arrebatam. A gente acaba se envolvendo com a criança. É como se estivesse ali um sobrinho, o filho de um amigo querido. Então, a gente acaba fazendo parte da vida daquela família e a família acaba fazendo parte da nossa vida”, conta Elaine. Segundo ela, a amizade vai além dos poucos minutos de interação nas brinquedotecas: “A gente passa a se comunicar, quer saber quando a criança está internada, para poder visitar. Entrou no coração, é sem volta”.

A força das mães encanta a Elaine. “Mulheres que a gente se pergunta ‘de onde essa mulher tirou tanta força?’. Eu acredito que as mães têm essa força, elas buscam forças inexplicáveis. O nosso contato com as mães é mais cuidadoso – às vezes, quando elas recebem o diagnóstico, ele é bem pesado. O que eu tento passar para essas mães? Que elas não estão sozinhas. Que aqui existem especialistas, a medicina é de ponta, que elas estão no melhor hospital para crianças de Brasília. É um hospital especializado. Eu tento mostrar que estou com elas”, diz.

Estar no meio de tantos pacientes faz com que Elaine se sinta mais jovem. Ela até brinca. “Eu tenho 57 anos, e acho que volto a ter cinco anos de idade. Viro uma criança no meio das crianças, me divirto com elas. Se tiver que competir, vou competir; vou brincar. O trabalho aqui no Hospital não é uma coisa estática: tem movimento, tem alegria – mas sem esquecer de respeitar a idade do paciente. Nós temos muito carinho, e nunca subestimamos nenhuma criança. Porque elas são muito inteligentes. Quando eu digo para eles ‘você é muito inteligente’, muitos respondem ‘você também é muito inteligente, tia’, É uma graça o retorno que eles te dão”, conta.

Elaine já viveu tantas histórias que afirma: “daria para escrever um livro. A cada dia é uma experiência nova, uma criança diferente. São vivências maravilhosas, experiências construtivas e enriquecedoras. Histórias incríveis que os pais contam para a gente. Para mim, é fantástica a confiança que esses pais têm em compartilhar com a gente o dia a dia deles. Alguns me contam que, quando falam aos filhos ‘olha, vai dormir mais cedo que amanhã nós vamos ao Hospital da Criança’, elas respondem ‘oba! Nós vamos para o hospital!’. É muito gratificante você constatar que a criança quer vir para cá”.

A voluntária admira tanto os pacientes do HCB que tem um sentimento especial por todos eles. “A partir do momento que elas atravessam aquela porta, eu faço por elas o que eu faria por um filho meu. Pela idade, eu me coloco no lugar de uma avó. Eu faço o melhor que eu puder. Se eu pudesse, eu teria a cura para todos. Como eu não tenho, eu ajudo da maneira que eu posso: com muito carinho, sempre visando o bem-estar da criança”.

 

Texto e foto: Augusto Almeida
Edição: Carlos Wilson 
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke