Aquela que faz os outros felizes

07/01/2015

Aos dois anos de idade, Beatriz Emanuelle dos Santos vem à internação do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) periodicamente. A alegria constante da menina encanta a todos e é força para sua mãe, a professora Vanusa dos Santos, que veio do Maranhão para Brasília em fevereiro de 2014, por causa do tratamento da filha.

“A Bia tem um tumor no rim; nós viemos para cá porque foi um dos lugares que a médica dela sugeriu depois do diagnóstico”, conta Vanusa, que mora com Beatriz na casa de um irmão em Sobradinho. Com quase um ano de tratamento, ela diz que a filha já se acostumou com os procedimentos realizados pela equipe do HCB: “No início, ela chorava muito, para tudo. Quando diziam ‘deita aqui’, para qualquer exame, ela já chorava, já sabia que iam furar para alguma coisa. Hoje, não, ela lida bem, reage bem, não tem medo de vir ao hospital. Acho que ela lembra só das coisas boas, que tem a brinquedoteca e o pula-pula, que ela gosta muito, e se dá bem com todo mundo”.

Para tratar o tumor, Beatriz precisa ser internada a cada 21 dias. Mesmo com o tempo que passa no HCB, a menina não perde a animação típica das crianças. “O nome dela é ‘Beatriz’, um dos significados é ‘aquela que faz os outros felizes’. A gente pesquisou e achou esse significado”, explica Vanusa.

A menina faz jus a seu nome, sorrindo a quem passa pela janela de seu quarto e posando espontaneamente para fotos. Durante a Semana do Natal HCB, quando os pacientes da internação receberam a visita do Papai Noel, Beatriz se apressou para fazer pose ao lado da boneca que ganhou de presente. A foto acima, publicada na página do HCB no Facebook, foi vista por 6.700 pessoas e recebeu  quase mil interações (comentários, curtidas e compartilhamentos). “Na hora que eu disse que era pra tirar foto, ela já começou a se remexer. Ela é cativante, eu fico muito feliz dela passar essa alegria para as pessoas, fico orgulhosa dela. Tudo nela me deixa feliz”, afirma a mãe, que sorri ao ler os comentários postados por seguidores do página do HCB na rede social.

Enquanto está no hospital, Beatriz se diverte com alguns brinquedos e assiste a desenhos animados e aos vídeos dos palhaços Patati e Patatá. Na casa do tio, a brincadeira é mais agitada: “Ela gosta de correr. A gente já não tem esse pique todo, mas ela diz ‘vamos, mamãe, vamos brincar de correr’, e a gente fica correndo em volta das coisas. Também gosta de cantar e dançar com a tia dela e com a prima, que tem 17 anos”, conta a mãe.

Beatriz deixou o pai e um irmão de sete anos no Maranhão quando veio com a mãe para Brasília. Eles conseguiram matar um pouco da saudade em uma visita, recentemente: “Ela sente muita falta. Esses dias eles vieram, então era um grude; com o irmão, era gargalhada a toda hora”, afirma Vanusa.

Enfrentar o tratamento “é complicado”, explica a mãe de Beatriz, “mas dentro da adversidade a gente procura ver as coisas boas. Encontrei muita gente boa, aqui no hospital mesmo; você tem um atendimento nota dez em todos os aspectos. Isso conforta muito, tive muito apoio da família, dos amigos, todo mundo... Gente que nem nos conhece e manda recado, dá um jeitinho para ligar. E o sorriso dela, o jeito dela, faz com que a gente tenha força todo dia”.

 

Texto: Maria Clara Oliveira
Fotos: Maria Clara Oliveira e Renisson Maia

Edição: Carlos Wilson 
Coordenação de Comunicação: Ana Luiza Wenke